
Ver uma porcentagem em uma conta poupança e não saber se ela realmente compensa é uma dúvida comum nas finanças pessoais, e pode levar você a comparar errado.
Este guia explica o que é a taxa de retorno, quais tipos existem e como calcular o retorno de um investimento.
O que é a taxa de retorno?
A taxa de retorno é a porcentagem que mede quanto um investimento ganha ou perde em relação ao valor investido em um período, normalmente expressa de forma anual. Entendê-la é parte básica da educação financeira, porque permite comparar produtos financeiros diferentes com a mesma régua e tomar melhores decisões com o seu dinheiro.
Taxa de retorno vs. taxa de juros
A taxa de juros é o preço do dinheiro que um produto paga, por exemplo uma conta poupança. A taxa de retorno mede o resultado total, que, além dos juros, pode incluir variações de preço ou dividendos. Por isso, dois produtos com a mesma taxa de juros podem ter um retorno diferente.
Tipos de taxa de retorno: nominal, real, bruta e prefixada
As taxas são classificadas conforme o que incluem: a nominal não desconta a inflação, a real desconta, a bruta é antes dos impostos e a prefixada não muda durante o prazo. Conhecer cada tipo ajuda você a decidir onde investir o seu dinheiro com expectativas realistas, e não apenas pelo maior número.
Taxa nominal e retorno real: o efeito da inflação
A taxa nominal é a que o produto anuncia, sem considerar a inflação. O retorno real é o que sobra depois de descontá-la e mede quanto poder de compra você ganha. De forma aproximada, retorno real = taxa nominal menos inflação.
Exemplo hipotético: se um produto oferece 8% de taxa nominal e a inflação anual é 4%, o retorno real é de cerca de 4%. Consulte a inflação vigente (IPCA) no site do IBGE ou do Banco Central do Brasil antes de fazer o seu próprio cálculo.
Taxa bruta e taxa líquida: o imposto de renda
A taxa bruta é o rendimento antes dos impostos; a taxa líquida é o que você recebe depois deles. Os rendimentos de renda fixa costumam estar sujeitos ao imposto de renda, e o valor depende de cada produto, do prazo e da sua situação fiscal. Confira as informações oficiais da Receita Federal para confirmar.
Taxa prefixada e taxa pós-fixada
Uma taxa prefixada é conhecida desde o início e não muda durante o prazo contratado, como ocorre em vários CDBs prefixados. Uma taxa pós-fixada acompanha um indicador de referência, como a Selic ou o CDI. Essa diferença explica por que alguns rendimentos mudam com o tempo, tema que veremos mais adiante.
Como calcular o retorno de um investimento passo a passo
Para calcular o retorno de um investimento, usa-se esta fórmula: (valor final menos valor inicial) ÷ valor inicial × 100. Usaremos um único exemplo hipotético nas três seções seguintes: você investe R$ 10.000 e, no final, tem R$ 10.500.
- Ganho: R$ 10.500 menos R$ 10.000 = R$ 500.
- Divisão: R$ 500 ÷ R$ 10.000 = 0,05.
- Resultado: 0,05 × 100 = 5% de taxa de retorno.
Retorno anual e taxa anual: como anualizar
Esses 5% hipotéticos não dizem em quanto tempo foram obtidos. Se vieram em seis meses, a taxa anual simples é de 10%, porque se multiplica por dois períodos de seis meses. Com capitalização, ou seja, se o que foi ganho é reinvestido, o retorno anual sobe para 10,25%.
Por isso, ao comparar, convém expressar todos os resultados como retorno anual no mesmo formato. Assim você evita comparar 5% em seis meses com 8% em um ano.
Juros compostos e reinvestimento
Os juros compostos ocorrem quando os juros ganhos são somados ao capital e também geram juros. O reinvestimento é o que os ativa. A tabela a seguir usa uma taxa hipotética de 5% ao ano sobre R$ 10.000 durante três anos.
| Ano | Sem reinvestimento (juros simples) | Com reinvestimento (juros compostos) |
|---|---|---|
| 1 | R$ 10.500 | R$ 10.500 |
| 2 | R$ 11.000 | R$ 11.025 |
| 3 | R$ 11.500 | R$ 11.576,25 |
No terceiro ano, a diferença é de R$ 76,25. Parece pouco, mas cresce com o prazo e com o valor.
Retorno total: preço, dividendos e custos
O retorno total soma tudo o que um ativo gera: a variação de preço mais os dividendos, menos custos e impostos. É o cálculo que convém dominar para avaliar o desempenho real de qualquer ativo que pague dividendos.
Exemplo hipotético: você compra um ativo por R$ 100, vende por R$ 108, recebe R$ 2 de dividendos e paga R$ 1 de custos. O retorno total é (108 + 2 - 1 - 100) ÷ 100 = 9%. Se o ativo é negociado em dólares, a taxa de câmbio também soma ou subtrai do resultado em reais.
Com a fórmula, a anualização, os juros compostos e o retorno total, você já pode avaliar com critério qualquer taxa que lhe mostrem.
Rentabilidade bruta e líquida: como comparar produtos financeiros
Para comparar produtos financeiros, é preciso expressar o ganho anual no mesmo formato. Em renda fixa, é comum ver o rendimento como uma taxa ao ano ou como um percentual do CDI, como em um CDB que paga um percentual do CDI. A rentabilidade bruta é o ganho antes do imposto de renda; a líquida é o que sobra depois dele.
Nem a rentabilidade bruta nem a líquida descontam a inflação: para isso, calcule o retorno real, explicado acima. Para que a comparação seja justa, use o mesmo prazo e o mesmo valor em cada produto e confirme se a taxa informada é bruta ou líquida.
Para simular os seus números, use um simulador de investimentos que permita comparar opções com os seus próprios valores e prazos.
Por que a taxa de retorno muda: Banco Central do Brasil e política monetária
A taxa de retorno muda porque o Banco Central do Brasil ajusta a política monetária para controlar a inflação, e esse ajuste se transmite às taxas de juros dos produtos bancários e do mercado. A cadeia funciona assim:
- A inflação sobe ou cai.
- O Banco Central do Brasil, por meio do Copom, decide a política monetária e define a meta da taxa Selic.
- A Selic influencia o Tesouro Selic, os CDBs e outros produtos de renda fixa.
- Seu investimento rende mais ou menos.
Este esquema explica o mecanismo, não prevê movimentos: as decisões dependem das condições econômicas de cada momento.
Taxa Selic e Tesouro Selic
O Tesouro Selic é um título público do Governo Federal cuja rentabilidade acompanha a taxa Selic. Os CDBs, por sua vez, costumam pagar um percentual do CDI, indicador que tende a se mover muito próximo da Selic. Quando a Selic sobe ou cai, esses rendimentos costumam acompanhá-la.
Consulte as taxas vigentes no site do Tesouro Direto e do Banco Central do Brasil, porque esses dados mudam e devem ser verificados com data antes de usá-los em um cálculo.
Avisos legais
Aplicam-se termos e condições. Confira os detalhes em go.bitso.com/legal
Este site fornece informações sobre contas, produtos e serviços oferecidos pela The Badger Technology Company Limited (“Bitso International”) e suas afiliadas. Não constitui uma oferta nem uma solicitação para prestar serviços fora das jurisdições em que operamos.
A disponibilidade dos produtos e serviços pode variar conforme o país, e a elegibilidade do cliente está sujeita às leis e regulamentações locais, bem como à aprovação final. Os termos, condições e tarifas podem mudar.
Consulte a seção de Informações Legais para conhecer os termos aplicáveis, os requisitos de contratação e os avisos de risco. A Bitso International e suas afiliadas operam sob as licenças e regulamentações locais correspondentes, que podem variar conforme a jurisdição. Os produtos e serviços não são garantidos nem segurados por nenhum governo.
Perguntas frequentes
Com uma taxa hipotética de 12% ao ano, R$ 10.000 geram R$ 1.200 por ano em juros simples, ou seja, 12% desse valor. Se os juros são capitalizados todo mês, o resultado sobe para cerca de R$ 1.268, porque o que foi ganho também gera juros. Por isso convém sempre perguntar se a taxa é simples ou composta e se é expressa antes ou depois dos impostos.
Depende da taxa. O método é dividir a taxa anual por 12 e multiplicá-la pelo valor. Com uma taxa hipotética de 10% ao ano, R$ 100.000 rendem cerca de R$ 833 por mês antes dos impostos. Uma poupança, um CDB ou um título do Tesouro Direto darão resultados diferentes, então simule o seu caso em um simulador de investimentos com os seus próprios valores e prazos.
A TIR, ou taxa interna de retorno, é a taxa de desconto que faz o valor presente líquido dos fluxos de um investimento ser igual a zero. Serve para comparar investimentos com fluxos em datas diferentes. É calculada em uma planilha ou em uma calculadora financeira, e uma TIR maior que a taxa que você exige costuma indicar uma opção melhor.
Não existe uma instituição melhor para todos: depende do seu prazo, do valor e da sua necessidade de liquidez. Compare a rentabilidade bruta e a líquida (ou o percentual do CDI) de cada instituição financeira com o mesmo prazo e valor, veja se a taxa é prefixada ou pós-fixada e confirme as tarifas e as condições de resgate. Depois, compare o resultado com o retorno esperado de que você precisa para a sua meta.
O valor nominal é o montante que um título promete pagar no vencimento. O valor atual, ou valor presente, é quanto vale hoje esse pagamento futuro depois de descontado por uma taxa. Os dois conceitos ajudam a entender quanto custa e quanto devolve um investimento.
A taxa de desconto é a porcentagem subtraída do valor nominal de um título para obter o preço pelo qual ele é comprado. Se você compra abaixo do valor nominal e recebe o valor nominal no vencimento, essa diferença é o seu ganho. A taxa de desconto e a taxa de retorno são diferentes, embora uma possa ser convertida na outra.
O retorno esperado é o ganho que você estima obter de um investimento conforme cenários possíveis, não um resultado garantido. É calculado ponderando cada cenário pela sua probabilidade: se há 50% de chance de ganhar 10% e 50% de chance de ganhar 4%, o retorno esperado é 7%. Nenhum retorno esperado garante o que vai acontecer na realidade. Use esses números como referência hipotética, e não como promessa.
Não, os fundos de investimento não têm uma taxa de retorno fixa. O resultado depende do preço dos ativos em que investem, como instrumentos de dívida ou de renda variável, e pode subir ou cair. Alguns fundos de renda fixa se movem mais perto das taxas de juros, mas nenhum garante ganho. Confira o regulamento e o histórico antes de compará-lo com outros produtos.



